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Na sua alegria, na sua pureza, eles nos ensinam que a vida é bela e que sempre temos muito com o que nos alegrar. Basta ter olhos e coração de criança
 

Na África, as crianças representam a certeza da continuidade e da renovação, e estão ligadas a tudo que se inicia e brota: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas etc. Por isso, são tratadas como grandes riquezas por seus pais.

Os erês são guias ou entidades (espíritos) que, no ritual de Umbanda, apresentam-se como crianças. A palavra ‘erê’ vem do iorubá e significa ‘brincar’. Esses espíritos infantis são a verdadeira expressão da alegria, da espontaneidade, da pureza, da inocência e da ingenuidade da criança. Quando chegam a um terreiro, transformam o ambiente em pura alegria com seu grande poder de renovação. Sua maior força está no próprio amor e, embora sejam puros e inocentes, não são tolos e logo identificam os erros e falhas humanos. Por se apresentarem com aspecto infantil, podem não ser levados muito a sério, mas são grandes conselheiros e magos.

Associados a Cosme e Damião, os gêmeos que se tornaram santos por praticar a medicina como caridade, os erês são grandes curadores que trabalham com a magia dos elementos da natureza. Apesar de seu aspecto frágil e inocente, são verdadeiros magos e atingem seus objetivos com grande sabedoria e simplicidade. Embora brinquem, dancem e cantem, merecem todo nosso respeito, pois, por trás da vibração infantil, estão espíritos de grande conhecimento.

Maurício é um erê. Sim, Maurício, um nome não muito comum para erês, mas cujo significado – mouro, de pele escura, originário da Mauritânia (localizada na África) – reflete bem suas características. Maurício apresenta-se como um garoto moreno e magro, de aproximadamente cinco anos, muito alegre, brincalhão e arteiro, muito arteiro, mas que, quando precisa falar sério, fala muito sério.

Um dia, há quase um ano, veio uma moça conversar com ele, dizendo que andava muito triste. Ela estava enfrentando uma depressão muito forte, da qual não conseguia sair. Há um tempo vinha se tratando e sofrendo muito. E pediu a ajuda dele.

Maurício a ouviu. Com calma e comendo doce, ele ouviu tudo o que ela disse. Todas as queixas. Sério, como só as crianças sabem ser, Maurício ouviu tudo atentamente, balançando a cabeça de vez em quando.

Quando ela acabou, ele simplesmente perguntou: “Se eu pedir uma coisa pra tia, a tia faz pra mim?”. E ela, meio perplexa, respondeu: “Faço... Faço, sim...”. E ele, então, pediu.

 

Um colar para Maurício

“Tia, você vai me fazer um colar, um colar bem bonito. Você vai comprar fio e bolinhas coloridas, bem coloridas, de todas as cores, e vai fazer um colar. Mas você não vai fazer esse colar de uma vez, porque esse é um colar muito especial, não pode só colocar as bolinhas uma atrás da outra. Cada bolinha é especial, porque, pra cada bolinha que você colocar, você tem que se lembrar de uma coisa boa que te aconteceu. Qualquer coisa boa, tia. Qualquer coisa alegre que você se lembrar. Uma flor bonita que você viu; o dia que você nasceu; uma dor que passou; um dia que o céu tava bem azul; a sua mão que mexe; o seu olho que vê; o dia que o seu moleque nasceu. Qualquer coisa que você acha boa, tia. Pra cada bolinha, você tem que pensar numa coisa boa antes de colocar no fio. Você faz esse colar pra mim, tia?”.

A moça ficou olhando meio sem entender... Tinha ido falar com ele pedindo ajuda e o menino pedia para ela fazer um colar?! Ela ainda resmungou que não ia ser muito fácil, mas que faria, sim, o colar, do jeito que ele estava pedindo.

Maurício sorriu, todo feliz, deu a ela uma bala e se despediu. E a moça foi embora com a “encomenda”...

Dia desses, ela voltou. Maurício não estava, mas ela pediu para conversar com o preto velho, Pai José de Angola. Toda feliz, ela queria mostrar a ele o colar lindo que tinha feito para o Maurício. Todo de contas cristalinas de todas as cores, com mais de 2 m de comprimento!!!!!

O preto velho sorriu e perguntou: “Foi difícil, fia?”. E ela respondeu: “No começo foi, sim, muito difícil, pai Zé”, como ela carinhosamente o chama, “mas, conforme eu ia fazendo, ia ficando mais fácil. Fui me lembrando de cada vez mais coisas boas e alegres, e o colar foi saindo, devagarinho... Quando eu vi, estava enorme e eu me dei conta de que, se fosse colocar nele todas as coisas boas que já tinham me acontecido, ele não ia ter fim...”

O preto velho sorriu novamente e perguntou: “E o que a fia aprendeu com o colar do Maurício?”. E ela respondeu: “Aprendi que sempre temos mais coisas boas a agradecer do que coisas ruins de que reclamar. Que é só uma questão de foco, de pra onde a gente olha. Se a gente só olhar pras coisas ruins, vai se sentir cada vez pior e só vai ver coisas ruins...”

E Pai Zé pediu: “Então, agora a fia vai pegar e pendurar o colar no seu casuá, num lugar onde a fia pode vê sempre todas coisa boa que tem na vida...”

Assim são os erês... Simples, puros, inocentes, mas sábios, muito sábios. Na sua alegria, na sua pureza, eles nos ensinam que a vida é bela e que sempre temos muito com o que nos alegrar. Basta ter olhos e coração de criança para enxergar as belezas que a vida nos proporciona diariamente.

E você, quer fazer um colar para o Maurício?

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, Ed. 140.
Ao reproduzir o texto, citar o autor e a fonte.

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