• 1

  • 2

  • 3

  • 4

Copyright 2022 - Custom text here

Avaliação do Usuário

Star InactiveStar InactiveStar InactiveStar InactiveStar Inactive
 

Muito temos ouvido a respeito de buracos negros, mas não haveria um “buraco branco” ou incolor, individual, subjetivo, que nos levaria ao mundo interno da plena felicidade?

 

Todos temos buscado, por longas vidas, longos tempos, longos percursos, o caminho para a paz, para a alegria, para a tranquilidade, para a felicidade.

Buscamos em outras paragens, outras plagas, outros mundos, outras esferas, outras dimensões...

Andamos, “fora de nós”, por muitos caminhos… e quanto mais andamos, mais sentimos necessidade de andar, de buscar…, buscar Aquilo que não pode ser alcançado fora!

Por todos os lugares, espaços, dimensões, mundos, por onde caminhamos nessa busca, levamos conosco Aquilo por que ansiamos nessa caminhada…, e não nos damos conta de que carregamos conosco, por onde andamos, o motivo, a meta de nossa procura e que imaginamos distante.

Saímos de nós mesmos para encontrar a nós próprios! Não percebemos que nenhuma busca, exterior a nós próprios, é necessária.

Mesmo nas mais variadas andanças religiosas, aprendemos e praticamos a procura por caminhos externos: buscamos a paz exterior, a felicidade que vem de fora, o Cristo externo, Krishna externo, Buda externo, mestre externo, Deus externo e distante...

Há um conto de Sai Baba no qual é contada a situação de desespero de um rapaz que, assediado por assaltantes, passa a ser por eles maltratado. E começa, então, a clamar, em aflição: “Deus, que estás no céu, no infinito, vem me socorrer, ajuda-me!” E nada de Deus aparecer. Após algum tempo nas mãos dos homens e de clamar por Deus no infinito, nos céus, Deus aparece e o salva. E o rapaz, então, reclama de Deus: “Estou clamando por Sua ajuda todo esse tempo e só agora o Senhor aparece?” Disse-lhe, então, Deus: “Mas você Me imaginou tão distante, no céu, no infinito…, que Eu demorei a chegar; se você Me tivesse imaginado em você próprio, em seu interior, como sua realidade interna, Eu teria imediatamente surgido e Me expressado!”

 

Dependência emocional

Aprendemos desde cedo a sermos dependentes: de pessoas, ambientes, situações, condições e das mais diversas lideranças. Acreditamos que a felicidade é fruto do que vem do exterior e não de nós próprios.

Como disse Chico Xavier: “Não creia em salvadores que não demonstrem ações que confirmem a salvação de si mesmos.”

Sócrates, em seus costumeiros passeios pelas ruas de Atenas, costumava olhar os vendedores com suas variadas mercadorias. Certo dia, um comerciante perguntou-lhe o que desejava e Sócrates respondeu: “Gosto de passear, de olhar os vendedores, com toda essa variedade de coisas que existem…, e das quais eu não necessito para ser feliz.”

Aprendemos com os grandes mestres da espiritualidade que tudo de que necessitamos precisa ser buscado – e só pode ser encontrado – dentro de nós. Dentro de nós o Reino de toda a paz, toda a felicidade.

Jesus, com toda sua sabedoria, já dizia:

“O Reino de Deus não vem com aparência exterior, nem se pode dizer que ele esteja aqui ou acolá, porque o Reino de Deus está dentro de vós.”

“Buscai primeiro o Reino de Deus, e todas as outras coisas vos serão acrescentadas.”

Muitos podem argumentar que tudo isso, todas essas palavras, todos esses ensinamentos, são apenas palavras bonitas, palavras de efeito, mas que não levam a nada; que tudo isso é fácil de ser dito, mas não possui efeito prático, não tem fundamento para ser vivido no dia a dia de nossas vidas. Puro engano: são visões de pessoas que ainda não vislumbraram, de leve, as possibilidades infinitas que fazem parte da natureza divina do homem, conforme, inclusive, afirma a moderna física, a tão já disseminada física quântica. Tais posições só fazem sentido para aqueles que ainda não se conscientizaram do caminho direto que leva a esse Reino dentro de cada um.

E Jesus, ainda em toda sua sabedoria:

“Pedi e dar-se-vos-á, buscai e alcançareis, batei e abrir-se-vos-á. Porque aquele que pede, recebe; e o que busca, encontra; e ao que bate, se abre.”

 

A busca infinita

Mas o que buscar, onde buscar e como buscar? Onde bater? E o que se abrirá? A busca se resume em um reino externo ou no Reino Real dentro de nós? São perguntas básicas, objetivas, para que o encontro seja alcançado.

Ouvimos falar correntemente em portais do espaço e do tempo, que provavelmente nos levariam a mundos de múltiplas dimensões, a universos de incomparáveis belezas. Fala-se de portais, possivelmente localizados em pontos especiais do planeta, que nos permitiriam penetrar nessas dimensões inimagináveis pela mente humana.

Muito temos ouvido a respeito de buracos negros, mas não haveria um “buraco branco” ou incolor, individual, subjetivo, transcendente a todas as gamas de radiação, que nos levaria ao mundo interno da plena felicidade?

 

 

A meditação

Nos dias atuais, já temos conhecimento, através mesmo de livros, revistas, noticiários os mais diversos e, sobretudo, preconizada por grandes sábios da espiritualidade que passaram e passam de quando em quando por entre a humanidade, sobre a importância da meditação como forma de busca interna, um meio para a introspecção, um recurso para o mergulho ao interior de nós mesmos, para o retorno do “filho pródigo ao lar de origem”, propiciando esse estado de vivência em níveis mais profundos de consciência.

Assim, através da meditação, o encontro se dá dentro de cada um, residência da fonte inesgotável, permanente, de todos os bens, virtudes, dons, sabedoria, paz, alegria, beleza e harmonia.

Meditação aqui não se resume, simplesmente, em uma prática de ficarmos sentados, em silêncio, em uma postura especial, mas se refere ao estado de atenção plena na Realidade Única, presente em tudo e em todos, estado que alcançamos convergindo a atenção no olho interno da sabedoria, considerado por Yogananda como o centro da consciência crística, chamado “o terceiro olho” por algumas escolas, e com a concentração no próprio Ser interno que somos, no self, no Eu, no Ser real.

Esse é o portal, o túnel que transcende espaço e tempo, o “buraco”, que não é buraco negro, mas nos leva às profundezas do universo interno.

Na Índia, há o conceito de Ganesha, que milhões consideram e idolatram como um Deus à parte, mas que, em realidade, constitui o nome, em sânscrito, com o qual é denominado esse poder interno, atributo divino, que faz parte de nossa natureza intrínseca. A própria concentração no nome Ganesha ou sua repetição, acredita-se que leva o indivíduo a acessar esse poder interno, que permite desbravar, abrir caminho, romper qualquer obstáculo que possa surgir e adentrar o portal para acesso à realidade interna.

Somos plenamente capazes de acessar, em nós próprios, esse portal, além do alfa e do ômega, do princípio e do fim, a própria eternidade, o tempo zero... e penetrar no universo de infinitas possibilidades!

O sucesso de tal realização é fruto, também, de vários aspectos, como a conduta no dia a dia, através de nossas ações, palavras e pensamentos; da própria moderação e equilíbrio em nossa alimentação; da melhor utilização do tempo em nossa vida, etc. Assim, há uma combinação de vários aspectos que devem ser considerados e que mereceriam uma abordagem mais atenciosa, oportunamente.

Devemos dar atenção, também, à persistência, à determinação, nesse processo de conscientização, para se conseguir acesso ao mundo interno, ao encontro e despertar da nossa natureza real.

No Antigo Testamento, em Jeremias, encontramos:

“E tu Me buscarás e Me encontrarás quando Me procurares com todo o teu coração.”

Sai Baba diz: “O seu coração tem lugar apenas para um: estabeleçam Deus firmemente em seu coração.”

 

A porta estreita

Jesus nos fala que a porta é estreita. Realmente, essa porta é por demais estreita, mas tão estreita que nela não cabe ninguém, a não ser o próprio indivíduo, considerando que a porta é individual, subjetiva e somente o próprio indivíduo, “aquele que medita”, pode por ela passar em sua busca interna.

E ainda, palavras de Jesus:

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso é o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontram.”

Nos Evangelhos, em João, 10:7, temos:

“Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes:

‘Em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.’”

Emmanuel, no livro Pão Nosso, capítulo 115 – A Porta – , através do querido Chico Xavier, disserta sobre tal passagem, dizendo:

“Não basta alcançar as qualidades da ovelha, quanto à mansidão e ternura, para atingir o Reino Divino.

É necessário que a ovelha reconheça a porta da redenção, com o discernimento imprescindível, e lhe guarde o rumo, despreocupando-se dos apelos de ordem inferior, a eclodirem das margens do caminho.

Daí concluirmos que a cordura, para ser vitoriosa, não dispensa a cautela na orientação a seguir.

Nem sempre a perda do rebanho decorre do ataque de feras, mas porque as ovelhas imprevidentes transpõem barreiras naturais, surdas à voz do pastor, ou cegas quanto às saídas justas, em demanda das pastagens que lhes competem. Quantas são acometidas, de inesperado, pelo lobo terrível, porque, fascinadas pela verdura de pastos vizinhos, se desviam da estrada que lhes é própria, quebrando obstáculos para atender a destrutivos impulsos? Assim acontece com os homens no curso da experiência.

Quantos espíritos nobres hão perdido oportunidades preciosas pela própria imprudência? Senhores de admiráveis patrimônios, revelam-se, por vezes, arbitrários e caprichosos. Na maioria das situações, copiam a ovelha virtuosa e útil que, após a conquista de vários títulos enobrecedores, esquece a porta a ser atingida e quebra as disciplinas benéficas e necessárias, para entregar-se ao lobo devorador.”

E ainda através de Chico Xavier, em uma passagem do livro Os Mensageiros, Capítulo XXVII, o instrutor orienta André Luiz: “Como veem, o ensinamento de Jesus, quanto ao ‘batei e abrir-se-vos-á’, é muito extenso. No plano da carne, insistimos à porta das coisas exteriores, procurando facilidades e vantagens; mas aqui, temos de bater à porta de nós mesmos, para encontrar a virtude e a verdadeira iluminação.”

Mas será que não temos conhecimento ou não nos recordamos, ou, ainda, não somos orientados no sentido de que podemos, com toda a certeza, penetrar nesses reinos de beleza e sabedoria, simplesmente acessando a porta individual, subjetiva e interna?

Sai Baba diz que procuramos conhecer o universo alcançando distâncias cada vez maiores, através de naves espaciais, sondas, telescópios gigantes, etc., enquanto o universo inteiro está dentro de nós. E o próprio Yogananda, simplesmente através da meditação, teve experiências indescritíveis de vivência cósmica, comungando com sóis, nebulosas, galáxias...

Ainda Sai Baba: “Você nasceu muitas vezes, vendo, fazendo e experimentando o que já viu, fez e experimentou. Você deve perceber que nasceu para não nascer novamente. Você deve ver e experimentar aquilo que dará realização à sua vida. Quando experimentar o Atma – Princípio divino –, você não precisará experimentar qualquer outra coisa. Essa é a unidade do princípio do Atma. Para experimentar esse princípio eterno, você deve abandonar o apego ao corpo e entender a verdade de que o Atma em você é o mesmo Atma que existe nos demais.”

E a porta é tão estreita, tão estreita mesmo, que o indivíduo, para caber nessa “passagem”, precisa se desfazer de seus fardos, de suas cargas, de seus desejos, de seus apegos; precisa ser livre, desnudo, pequeno como grão de mostarda, segundo palavras de Jesus.

Alguém poderia, aprofundando o tema, dizer que existem variedades de portas, considerando a possível existência de diversos planos multidimensionais se interpondo paralelamente, havendo, assim, porta atrás de porta, em que cada uma abriria uma dimensão, véus por trás de véus, que se abririam, que se dissolveriam, em cada passagem. Mas a busca, o encontro, independe da quantidade de véus ou de possíveis variedades de portas: o aprofundamento se dá em termos de essência última, além de quaisquer planos de existência, com plena atenção Naquele que constitui o Absoluto, o Princípio Átmico em cada um, a própria Divindade que somos!

Assim, apenas dentro de nós mesmos encontra-se a Fonte de toda a sabedoria, de toda a riqueza, de toda a beleza, formosura, paz, felicidade, perfeição, e que só pode ser encontrada através do portal interno da pura Consciência, do Eu Sou!

 

Artigo publicado na Revista Caminho Espiritual, 39
Ao reproduzir o texto, deve citar o autor e a fonte.

 

CLIQUE AQUI!!

 

f t g