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No estágio evolutivo em que nos encontramos, temos uma visão limitada e míope sobre a caridade e, o que é pior, muitos não a praticam. Em O Livro dos Espíritos, questão 886, Kardec faz uma pergunta espetacular: “Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como Jesus a entendia?”. A resposta é simples e direta: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Jesus enxergava a caridade de forma plena e sublime. Talvez ainda levemos muito tempo para entender estas palavras e, principalmente, colocá-las em prática.

Allan Kardec ainda comenta essa questão dizendo: “(...) A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola; abrange todas as relações com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque nós mesmos precisamos de indulgência; ela nos proíbe humilhar os desafortunados, ao contrário do que comumente fazemos.”

No livro Jesus, o Filho do Homem, Khalil Gibran descreve de forma magnífica, como se estivesse presente nesta história, cujo capítulo intitula-se “Pedro – No amanhã de seus seguidores”. A narrativa conta:

“Uma vez, ao anoitecer, Jesus nos levou à vila de Betsaida. Éramos um grupo de pessoas cansadas e a poeira da estrada estava sobre nós. E chegamos a uma grande casa no meio de um jardim, e o dono estava no portão. Jesus disse a ele: ‘Estes homens estão cansados e os pés doem. A noite está fria e eles precisam de calor e descanso’.

O homem rico disse: ‘Eles não dormirão em minha casa’. E Jesus disse: ‘Deixe que eles durmam em seu jardim’. O homem respondeu: ‘Não, eles não dormirão em meu jardim’. Então Jesus voltou-se para nós e disse: ‘É assim que será nosso amanhã, e esse presente é como vosso futuro. Todas as portas serão fechadas em vosso rosto, e nem ao menos os jardins que dormem sob as estrelas podem ser vosso leito. Vossos pés devem ser pacientes com a estrada e devem seguir-me, pode ser que encontremos uma ravina e uma cama, e talvez pão e vinho também. Mas se acontecer de não encontrarmos nenhuma dessas coisas, não esqueçais que atravessamos um de meus desertos. Vamos, prossigamos’.

O homem rico ficou perturbado, seu semblante mudou, e resmungou para si mesmo palavras que não me foi dado ouvir; recolheu-se de nossa presença e penetrou em seu jardim. E seguimos Jesus pela estrada.”

 

Uma simples caridade

No livro Vinha de Luz, psicografia de Chico Xavier, Emmanuel nos alerta no capítulo “Servicinhos” que “(...) A maioria anda esquecida do valor dos pequenos trabalhos que se traduzem, habitualmente, num gesto de boas maneiras, num sorriso fraterno e consolador. Um copo de água pura, o silêncio ante o mal que não comporta esclarecimentos imediatos, um livro santificante que se dá com amor, uma sentença carinhosa, o transporte de um fardo pequenino, a sugestão do bem, a tolerância em face de uma conversação fastidiosa, os favores gratuitos de alguns vinténs, a dádiva espontânea ainda que humilde, a gentileza natural, constituem serviços de grande valor que raras pessoas tomam à justa consideração”.

Conforme o benfeitor escreveu, é muito fácil praticar a caridade, pois são pequenos gestos de amor para elevar uma alma em aflição. Então, indagamos: Quantos praticam estes “servicinhos” diariamente? Com certeza, poucos, por alegações diversas: falta de tempo, falta de interesse, por quererem aproveitar primeiro os gozos materiais para depois pensar no próximo, imaginar que temos todo o tempo do mundo, além de permanecerem com os vícios do orgulho, do egoísmo, da presunção e da vaidade.

Jesus não precisava passar por todas as dificuldades e humilhações, porém, o fez para nos deixar sua palavra e seus ensinamentos morais, para que pudéssemos praticar de forma digna e, consequentemente, evoluir. Mas muitos ainda permanecem estagnados, como há mais de 2 mil anos.

Em Religião dos Espíritos, também psicografado por Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel, podemos ler: “Jesus, entre os homens, partilhou campanhas diversas, inclusive aquelas do amor pelos inimigos e da oração pelos que perseguem e caluniam. Entretanto, fosse na tolerância aos sarcasmos da rua ou no perdão aos ingratos, em momento algum se esqueceu da própria consagração à campanha da bênção.”

 

Oportunidades

Recentemente, li um texto muito interessante, que dizia: “Quantas estrelas brilham de dia? A resposta é que todas as estrelas brilham de dia. Porém, como durante a manhã há luz do Sol, ela ofusca e esconde o brilho de todas as outras estrelas e não as vemos. Assim é com as possibilidades: elas estão por toda parte brilhando como sempre brilharam, mas quando estamos com a nossa visão ofuscada pelo brilho de nossas verdades e certezas, que para nós são como a luz do Sol, ficamos cegos e não conseguimos enxergar as oportunidades que estão a nossa volta.”

Apesar de ser um texto focado para a vida profissional, achei interessante, pois podemos levá-lo ao pé da letra para nossa vida espiritual, afinal, quantas estrelas brilham constantemente para nós durante o dia? São as oportunidades de praticar a caridade, mas deixamos que a luz do orgulho e do egoísmo ofusque a nossa alma. É a cegueira espiritual. Dessa forma, deixamos as oportunidades passarem pela nossa vida acreditando que novas virão, e, realmente, algumas retornam, mas novamente permitimos que escapem.

Assim, a vida segue seu curso natural e caminhamos infelizes pela vida, achando que nos falta algo para concretizar a verdadeira felicidade. Infelizmente, alguns jamais terão este sentimento pleno de felicidade por que lhes falta amor, o verdadeiro amor que Jesus possuía.

Talvez, se aproveitássemos melhor as oportunidades diárias que surgem, principalmente os “servicinhos” que tanto menosprezamos, se estendendo aos trabalhos assistenciais, com certeza, seríamos pessoas mais felizes e poderíamos dizer que, realmente, somos trabalhadores da Seara do Cristo.

Publicado na Revista Cristã de Espiritismo, ed. 144

 

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